Tenho que te confessar que à muito tempo que não regressava aqui. Alguma coisa me impede de o fazer, mas existem dias em que voltar, parece a única coisa acertada a fazer.
Seria mais fácil enfrentar o meu medo, e aceitar de uma vez por todas as respostas que teimo em não ouvir...aceitar que a vida é um risco, e por vezes uma montanha russa de sonhos perdidos.Mesmo que conseguisse enfrentar todos os meus receios, sei que ainda não estaria psicologicamente preparada para enterrar esse sonho.
-Mas a resposta pode ser positiva! Murmuras -me tu ao ouvido de uma forma tão doce que me sinto embargar por esse odor adocicado.
-Pode sim meu anjo! Respondo-te eu de forma tão terna como aquela em que me envolveste. Mas perante a incerteza, prefiro não arriscar, pelo menos, para já.
O meu ritmo de momento, é lento e remar contra a maré não me vai ajudar.
Olhas para mim de uma maneira tão ternurenta, que me sinto desfazer por dentro. Essa doçura propícia de uma criança de tenra idade, e eu, retribuo enquanto as lágrimas me escorregam desamparadamente pelo meu rosto, e em silêncio digo -te:
-Vou ficar bem. Não fico sempre?
Sinto-me prisioneira no meu próprio corpo. Como aquelas pessoas que vivem acamadas. Que vêem, ouvem tudo à sua volta, e não conseguem reagir.
Assim sou eu. Sei que provavelmente ao leres o que te escrevo, sentir- te - as triste. Mas não fiques, porque o propósito destas cartas não é esse. Só quero que me conheças, e isso inclui conheceres também as minhas fraquezas.
Não podemos ser sempre fortes e tens que compreender de que um filho, não se substitui...por nada, nem por ninguém..
Tem dias em que me apetece ficar em silêncio. Talvez nas suas entrelinhas me encontre...Quem sabe?
Pergunto- me se o universo terá escondido em algures, um depósito de sonhos perdidos, esquecidos, ignorados...
Até onde vai a nossa capacidade de sonhar? Os sonhos não param de chegar. Acho que estes nos ultrapassam, porque não envelhecem...Não perdem a cor. Transformar - se- ão a preto e branco e perderão as cores da vida?
Penso que isso tem mais a ver com a forma como encaramos a vida. Num dia podemos vê -los com todas as cores que existem, e haverá outros dias em que os vemos sem cor, sem vida...
Existem momentos em que me sinto desfalecer. Às vezes não tenho ninguém com quem partilhar o que sinto ou que entenda porque razão me dói a alma.
Sinto-me mutilada e ninguém me vê ao ponto de repararem que me falta um membro...Parte de mim parece invisível...
Talvez um dia, quando chegares dessa longa viagem em que te encontras, talvez tu e somente tu, me vejas com toda a transparência que seja possível ao ponto de conhecer o outro em toda a sua plenitude. Como uma fusão de 2almas...Fusão essa que será eterna e que só será possível entre mãe e filho.
Por isso, irei viver um dia de cada vez, sem planos, porque é no inesperado que o melhor da vida acontece.
Acredito em milagres, e tu já fizeste parte dele, e apesar de as tuas visitas escassearem de dia para dia, apesar de já não me visitares com tanta frequência nos meus sonhos, continuo a acreditar em ti...em nós.
Por agora me despeço.
Com amor
Mãe
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