22 de setembro de 2015

Milagres acontecem...

Olá meu anjo.
Antes de mais, tenho que te confessar que não tencionava voltar aqui, Sei que em parte, seria faltar ao prometido, mas tens que perceber de  que as peças que se desmancharam dentro de mim, teimavam em não se juntar novamente, o que fez de mim, um ser incompleto.
Transportava comigo um peso com o qual não estava a conseguir lidar.
Uma parte de mim, continuava a sonhar com a tua chegada, a outra parte...Tentava lidar com a tua ausência...O que como calculas, gerou um grande nó na minha cabeça e um conflito com o meu coração.
Ainda não tive a oportunidade de te contar:
Fui tia. É verdade, o teu tio foi pai de um lindo menino.
Não te vou mentir, foi um misto de emoções...por um lado uma alegria tremenda, por outro, uma tristeza tão profunda, que eu parecia estar a afundar-me num pântano sem qualquer retorno.
Também ainda não te disse que tens um irmão. As nossas conversas ficaram mesmo a meio, desculpa, mas acredita de que não foi por mal.
Chama-se Tomás( coincidência, o teu irmão e o teu primo, têm o mesmo nome) .O teu irmão é um menino muito especial, como terás a oportunidade de confirmar.
O Tomás não anda, não fala...Ah...Mas tem um daqueles sorrisos que nos invadem a alma e que nos  acariciam de tal forma, que é impossível resistir.
Foi vítima de negligência médica, mas mais para a frente, irei abordar este tema e dar-te a conhecer este menino tão doce, que é o teu irmão.
Foi numa dessas visitas à instituição onde ele se encontra, em Fátima, que fiz uma paragem como faço em  tantas outras vezes. Parei no Santuário para acender umas velas, e para fazer alguns pedidos, como é habitual.
Lembro-me de que chorei o caminho todo. Chorei, chorei,chorei e o teu pai sem perceber o porquê do meu pranto.
Sentia-me tão triste, tão impotente...Tão vazia.
Acho que a vida me roubou muita coisa, mas não me tirou a fé, e acho que é isso que me mantém em pé e que  em momentos de encruzilhada me ajuda a ultrapassar o impossível.
A esperança continua a iluminar o meu caminho, e foi num desses  trilhos que te encontrei.
Volvidas 19 semanas, ainda acho que és uma miragem.
Foram quatro longos anos a lutar. Nunca pensei que fosse possível desejar tanto alguém, sem a conhecer.
Enquanto escrevo estas linhas para ti, tu estás aqui, aconchegadinho dentro de mim.
Aguardo ansiosamente os resultados da amniocentese. Parte de mim acredita de que estás bem, a outra tem receio, acho que é próprio de mãe de primeira viagem.
Quando realizei o exame, fiquei a saber que és um menino.
Portanto meu anjo Gabriel,  sê bem vindo a uma família que te ama, e que que aguarda ansiosamente
pela tua chegada.

Até breve
Com amor
Mãe

P.S- Para alguém que não tive a oportunidade de conhecer, um beijo muito especial. Esteja eu onde estiver, estarás sempre no meu coração.


14 de janeiro de 2015

Palavras sem destino...

Hoje não sei  bem por onde  começar... As palavras  tendem a ficar  presas  na garganta, e as mãos  não  me  obedecem... Procuro  as letras uma a uma.Não  as encontro.insisto em solta-las mas  estas mais parecem fósseis agarradas à parede da alma.
À minha frente, um bloco  em branco que rabisco  vezes  sem conta.O corpo  quebrado  pelo cansaço teima  em prosseguir a minha  busca.
É urgente soltar as amarras que me prendem...Há dias em  que me sinto tão velha..Como  se subitamente,o meu corpo tivesse mais de cem anos.
Hoje, é um daqueles dias em que as palavras soltas são para todos aqueles que fazem parte da minha vida...Para aqueles que amo, para aqueles que conheci e que espero que nunca me abandonem...porque quando isso acontecer, o coração precisará de se libertar,precisará  de aceitar... e deixar  partir...
Não aprendi a dizer adeus... Como se diz adeus  a alguém que não queremos que parta?
Como se vive com o vazio que fica?
Às vezes  enquanto caminho pelas almas que se cruzam comigo, questiono se alguma delas sentiu o que sinto de momento... O vazio, o peso, a sensação de andar perdida,...sem rumo, sem direcção, sem um cais onde atracar, depois de um  longo dia de viagem.
Sinto-me só, terrivelmente só... Tudo se foi.. Os sonhos, os sorrisos,a paixão pela vida  que me fazia acreditar...no que outrora  me fora roubado.
Recomeço de novo, tentando fazer desta guerra uma batalha sem  mágoa... Mas sei que isso será pura ilusão, e que  quando se luta, inevitavelmente, haverá mágoa...mágoa pela dor que ficou, mágoa por aqueles que partiram,e que não quiseram permanecer ao nosso lado... Mágoa, por ter ficado o pior, quando tudo o resto se ausentou.
Desde  o dia  em que  nascemos que  somos  preparados  para  a vida... E para  a morte?
Porque  se tem  tanto  medo dela , se esta  faz  parte  da vida???
Estou  triste, revoltada,porque  desisti  de viver. Morri  em vida... Desisti  de mim.
Já deixei  de combater, estou fraca,e  não  consigo... Não, não  quero  levantar -me,esta  é  que  é  a verdade.
Uma vida  a lutar  por  causas  que  pareciam  serem  as  mais  acertadas, para  no  fim, acabarmos  sozinhos. Como  se  todas  as  batalhas  tivessem  sido  em vão.
As  conquistas  não  enobreceram a alma, porque  em vez  de sorrir,ela  está  em  prantos.
Se estas  palavras  soltas não  são  para  ninguém, estas  serão  dirigidas  a TI.
Obrigada  por  me  teres  ajudado  a nascer. Por  me  teres  dado  a conhecer  a vida.
Por  me  teres  ensinado  que  é  a ajudar  os  outros, que  somos  realmente  felizes.
Obrigada  por  me  teres  ajudado  a conseguir  realizar  um sonho, e com  ele  me salvaste...
Perdoa -me  por  todos  os  erros...Às vezes, acho  que  me  castigas, outras  que  me  pões  a prova... Seja  lá  como  for, espero  que  me possas  perdoar... Por  tudo!
Porque  se há  alguém  que  tem o dom  de perdoar, esse  alguém és  TU!!!
Acho  que  me  tens pregado  umas  rasteiras, uns  sustos, para que... quem sabe, eu  acorde  para  a vida.
Não  sei  se nos  iremos  encontrar alguma  vez, mas... Obrigada Meu  Deus  por  tudo, e perdoa-me  por  não  ter  sido  a pessoa  que  julguei  conseguir  ser...
Acho  que  ainda  não  me  abandonaste...
Espero que continues a lutar comigo, ou pelo menos, a dar-me força para eu continuar a seguir em frente...a não desistir, e a prosseguir esta viagem...



21 de junho de 2014

Superar..

Foto de autor desconhecido

 A alegria supera nossa tristeza, 
O consolo supera nossa dor, 
A fé supera nossa dúvida, 
O entusiasmo supera nosso desânimo, 
A coragem supera nosso medo, 
A força supera nossa fraqueza, 
A luz supera nossa escuridão, 
A vitória supera nossa derrota, 
A ação supera nosso tédio, 
sorriso supera nosso choro.. 

* Texto de autor desconhecido

20 de junho de 2014

Amizade..

Foto de sheenajibson

Um dia todos nós amigos iremos nos separar, sentiremos saudade de todas as conversas jogadas fora, dos sonhos que tivemos! Os dias vão passar, meses, anos, até esse contato se tornar cada vez mais raro... Um dia nossos filhos verão aquelas fotos e perguntarão.. Quem são essas pessoas? A saudade vai bater e com os olhos cheios de lágrimas eu direi: FOI COM ELES QUE VIVI OS MELHORES MOMENTOS DA MINHA VIDA!!!

* Texto de autor desconhecido.

13 de junho de 2014

Sem rumo...

Não sei ao certo a quem  devo direccionar a carta de hoje...
Hoje não haverá destinatário, só remetente.
Aqui, sentada no meu canto, tento perceber de onde vem a minha tristeza. Como desaguo o rio que nasceu dentro de mim.
Estou cansada, demasiado cansada para lutar...nada faz sentido. As escolhas que fiz, não me deixam mais sorrir. Os traços que me caracterizavam ficam mais acentuados e questiono uma vez mais as opções e como tantas outras vezes, não obtenho qualquer resposta.
O manto do céu continua cinzento, assim como a minha alma. Não há cor, alegria, apenas um vazio
,vazio esse que vem da alma à mente.
Sinto-me perdida, sem saber porque batalhas valerá a pena continuar a lutar...
De todas as dúvidas  que tomam conta de mim, apenas tenho uma certeza :
-não estou feliz!
A chuva chega de mansinho e envolve-me sem eu me dar conta. Há tanta coisa que queria arrancar dentro de mim... Queria ser diferente, ser menos sensível, porque assim esta não me abraçaria com tanta força.
Todos os dias, luto, ainda que em silêncio me pergunte :
-Valerá a pena???
Tinha sonhos adormecidos, e agora que acordaram... O que faço com eles?
Eles não morrem, e ao não morrerem, não os posso enterrar... Não poderei fazer o meu luto, e sem ele, como irei sobreviver???
Sinto que a estrada que percorro, não tem fim. Quanto mais a percorro, mais distante fico de tudo, de todos. Sinto -me como uma criança que se perdeu no escuro... É  como se a minha alma estivesse suspensa em algures, no universo e que ainda não encontrou o caminho de regresso.
-O que faço até lá?
Olho o céu em busca de uma estrela que me possa guiar, que me faça regressar  ao  meu verdadeiro eu, até então perdido.
Mas o manto que cobre  o céu, encontra-se cada vez mais enegrecido  e a escuridão  é total. E sem me aperceber muito bem como, uma maré em fúria invade o meu peito, e o meu pranto é total.
É  impossível resistir à sua força.
Quando imagino como poderia ter sido... A imagem que surge, é  a de um autocarro.
Seria muito mais fácil. Autocarros que nos transportem ao destino que escolhermos.
Sem dramas, sem medos, sem mágoas.. Sem perdas!!!

24 de março de 2014

A Infância

Como posso descrever esta fase da minha vida, senão me recordo de a ter vivido?
Pior do que não me lembrar dela, é o facto de esta nem sequer ter existido. Não guardo uma única lembrança (boa).
Sabes, aquelas que recordamos com saudade, quando recuamos no tempo…É como se essa fase da minha vida tivesse simplesmente saltado no tempo.
O teu avô batia-nos…As tareias que dava à tua avó…Meu Deus, não sei como ela sobreviveu todos estes anos.
A tua avó casou por vingança.
Um arrufo com o namorado na altura, fez com que o teu avô se aproximasse dela. Ela é uma pessoa muito orgulhosa, sempre foi. Nunca dá o braço a torcer, seja em que situação for. Esse homem, a quem me recuso a chamar de pai, conseguiu o que finalmente queria…Casar com a tua avó.
Casaram na boca do inferno, ironia do destino, porque, não é que a vida dela foi mesmo um inferno?!
Na primeira semana de casada, deu-lhe uma tareia que a ia matando. Até hoje culpo a tua bisavó pelo facto de não a ter tirado de casa. Em vez disso, incentivava-a a ficar ao lado dele, dizendo-lhe que seria um desgosto se esta se separasse…E o falatório que seria, caso ela o fizesse.
O teu tio nasceu dezasseis meses antes de mim…
Os anos foram passando, as tareias sucediam-se, e a vontade de viver era escassa ou nula.
Mas antes de avançar, vou-te contar como eu nasci. Partilho isto contigo, porque quero que tenhas consciência daquilo que nunca se deve fazer ao próximo.
Que devemos respeitá-lo, amá-lo e aceitar as pessoas tal como elas são, sem no entanto, passar por cima delas.

Circunstâncias da vida

Passaram-se alguns dias, desde a última vez que aqui estive…

Antes de mais, queria dizer-te, de que esta longa carta não será escrita de forma ordenada. Não fiques por isso confuso/a se algumas destas linhas não fizerem sentido.

Partilharei contigo, aquilo que o coração ditar no momento…Por isso, o passado, e o presente podem estar interligados.

Este mês, é um mês particularmente difícil…Senão te tivesse perdido , estarias aqui…portanto, esta carta não é só para quem estará por vir, mas também, para quem não completou este ciclo…o ciclo da vida.

As pessoas tendem a desvalorizar este tipo de situação…falam como se não tivesse importância. Mas sabes uma coisa?

-Tem!


Quem fala como se nada se tivesse passado, não nos conhece (quem fomos, quem somos…o que é realmente importante para nós).

Então, parados no tempo, deixamos que o nosso olhar se prenda nesses seres sem qualquer definição. É uma sensação tão estranha…De desconhecidos, passaram a amigos. De amigos, a conhecidos…porém, não posso dizer que esses conhecidos passaram a ser estranhos.

Hoje é um daqueles dias em que não acredito em quase nada.

Uma das coisas que me deixa particularmente triste, é o facto de ter um pensamento a atormentar-me a mente…Não conseguir engravidar novamente.

Só de pensar dói…Dizê-lo em voz alta, quase me sufoca…Vê-lo escrito aqui…derruba-me por completo.

Quem me dera, nesta altura da minha vida, ter-te aqui. Embalado nos meus braços, como se tudo aquilo que me rodeia, não tivesse importância…Só tu!

Hoje fico-me por aqui…

Passaram -se três anos desde a perda…

Continuarei a lutar…é tudo o que te posso dizer por agora.

17 de março de 2014

Para ti...

Hoje não te venho  deixar nenhuma  mensagem no mural da vida. Hoje passei por aqui somente para te deixar um beijinho especial... E com ele, deixo -te também algo de que gosto muito...
São para ti  meu anjo...
São príncipes negros... E como tu és um principezinho... achei que eram indicadas para ti...

13 de março de 2014

Um dia de cada vez...

Tenho  que te confessar que à muito  tempo  que não  regressava aqui. Alguma coisa me impede de o fazer, mas existem dias em que voltar, parece a única coisa acertada a fazer.
Seria mais fácil enfrentar o meu medo, e aceitar de uma vez por todas as respostas que teimo em não ouvir...aceitar que  a vida é  um risco, e por  vezes  uma montanha russa de sonhos perdidos.Mesmo que conseguisse enfrentar todos os meus receios, sei que ainda não estaria psicologicamente preparada para enterrar esse sonho.
-Mas a resposta pode ser positiva! Murmuras -me tu ao ouvido de uma forma  tão doce  que me sinto  embargar por  esse odor adocicado.
-Pode sim meu anjo! Respondo-te eu de forma tão terna como aquela em que me envolveste. Mas  perante a incerteza, prefiro não arriscar, pelo menos, para já.
O meu ritmo de momento, é lento e remar contra a maré não me vai ajudar.
Olhas para  mim de uma maneira tão ternurenta, que me sinto desfazer por  dentro. Essa  doçura propícia de uma criança de tenra idade, e eu, retribuo  enquanto as lágrimas me escorregam desamparadamente pelo meu rosto, e em silêncio digo -te:
-Vou ficar bem. Não fico sempre?
Sinto-me prisioneira no meu próprio corpo. Como aquelas pessoas que vivem acamadas. Que vêem, ouvem tudo à sua volta, e não conseguem reagir.
Assim sou eu. Sei que provavelmente ao leres o que te escrevo, sentir- te - as triste. Mas não fiques, porque o propósito destas cartas não  é esse. Só quero que me conheças, e isso inclui conheceres também as minhas fraquezas.
Não podemos ser sempre fortes e tens que compreender de que um filho, não se substitui...por nada, nem por ninguém..

8 de março de 2014

Baú de recordações

A brisa terna da manhã faz-me lembrar de que  o tempo passa a uma velocidade atroz.
O tempo tropeça em mim, e quase não o reconheço. Parte de mim envelheceu, enquanto a outra se mantém intacta, sem nunca ter crescido... Penso que esta  parte da inocência te pertencia ,quem sabe para que quando as minhas capacidades começassem a falhar, me fazeres (re) lembrar de que tudo é possível. Acreditar no impossível. Acho que isso é propício de uma  criança que vive sem malícia e que acredita  piamente de que tudo, mas mesmo tudo é  possível, aconteça o que acontecer. Por isso alimenta sempre  a criança que vive em ti. Não a deixes morrer. As vezes nos momentos de insanidade, é isso que nos mantém firmes num mundo, onde à medida  que  o tempo avança, mais perdidos ficamos...
A lucidez nem sempre é coerente com a realidade em que vivemos.Ser criança deve ser uma das melhores sensações do mundo. Aí, quando surgem as dúvidas,tudo parece novidade...A idade  dos porquês.Temos  ânsia em aprender,de crescer,de voar  pelo mundo,como se este nos pertencesse e como se  mais  nada importasse a não ser essa  viagem à descoberta do mundo.
Queria muito que o acolhesses assim,de braços abertos. Que este fosse mágico para  tornar todos  os teus sonhos  realidade.
E é  aqui  que  eu entro... para  não  te deixar  desistir, para  não perderes  a tua  capacidade  de sonhar.
Enquanto  eu viver, farei  de tudo para  não  perderes  essa inocência, e que uma parte de ti, nunca cresça...Para  que possas conquistar  o mundo com tanto  amor, como  me conquistaste a mim... Com muita  simplicidade, mas  com muita  magia.

Beijo grande de alguém que nunca te esquece...